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Janinha Educacional
Criatividade3 min de leitura

Por que colorir faz bem

O lápis de cor trabalha mão, atenção e emoção ao mesmo tempo — e ainda abre conversa.

Por Janiheide Migliorini de Souza · Professora e psicopedagoga

Colorir parece a mais simples das atividades. É justamente por isso que funciona: ela não intimida ninguém. A criança que ainda não lê, a que lê devagar e a que já lê fluente podem se sentar na mesma mesa e todas terem o que fazer.

A mão que colore é a mão que vai escrever

Preencher um desenho sem passar da linha exige um controle fino que a mão pequena ainda não tem pronto. Ela vai construindo esse controle ali, no contorno de um cabelo, na pétala de uma flor, no espaço apertado entre duas formas. É o mesmo controle que depois vai segurar o lápis para escrever. Colorir não é um desvio do caminho da escrita — é parte dele.

O tempo que a folha oferece

Tem também o que a atividade faz com o ritmo da criança. Colorir é lento por natureza. Não dá para colorir com pressa. Nesse tempo mais devagar, muita criança se acalma, se organiza e finalmente fala — sobre o dia, sobre um medo, sobre uma briga na escola. A folha ocupa as mãos e libera a boca. Quem já ouviu uma criança desabafar do outro lado da mesa, enquanto pintava, sabe exatamente do que estou falando.

Quando o desenho vem com texto

Quando o desenho acompanha um enredo — em rimas, por exemplo — ainda entra a leitura. A rima ajuda a criança a perceber os sons dentro das palavras, que é o alicerce da alfabetização, e ela nem precisa saber que está treinando isso. Ela só quer saber como a história termina, e colore para chegar lá.

Ler, pintar, conversar e se acalmar, tudo no mesmo lugar, com um material que custa pouco e cabe em qualquer mesa. Poucas atividades entregam tanto com tão pouco.

Materiais

Leve isso para a mesa de casa

Livros e jogos criados para juntar aprendizagem, diversão e fé no mesmo lugar.